Ilha de Boipeba e a Família da Paz

2 02 2009

Amigos do Perrengue, sem essa de feliz ano-novo! Mudei a temática da frase de boas vindas. Agora falaremos da estação do ano que particularmente gosto muito: Verão! Em homenagem ao Sol e ao calor, escolhi para hoje um post praiano, descolado e escatológico. Sim, algumas pessoas me pediram pra postar logo os posts nojentos com cocô, xixi, meleca… (essa tríade de xingamentos pertence à protagonista de hoje.)

Poucas viagens que fiz pelo Brasil foram tão especiais quanto a Ilha de Boipeba. Um paraíso que na época era pouco conhecido, localizado “nas costas” do famoso Morro de São Paulo. Uma pequena ilha circundada pelo encontro das águas do Rio do Inferno e do oceano, o que proporciona uma biodiversidade encantadora. Parece que o tempo tem uma forma toda especial de passar. Um vilarejo colorido, bem humorado e receptivo, ou seja a boa hospitalidade baiana, in natura.

Nossa jornada começa no Terminal Rodoviário Novo Rio, quente, fedorento, enfumaçado, um pedacinho do inferno, devo dizer. Eu e a Sra Puppim, companheira de inúmeras peripécias em forma de viagens, embarcamos no ônibus Rio x Valença, o único ônibus da viação São Geraldo que não tem ar-condicionado, claro. Por acaso algum dos leitores já teve a oportunidade de viajar para o Nordeste de ônibus? Não?! Pois deveriam! É muito legal. Pra começar, um japonês e uma loira de grande olhos azuis, que era o caso, são tipo dois E.T.s; outra coisa legal é a quantidade de coisa que a galera leva pra lá. São muitas e muitas caixas. Todas as vezes que viajei ajudei a várias famílias a empacotar novamente suas malas e a socá-las bagageiro a dentro! Mas na minha opinião, o melhor mesmo são as amizades que fazemos ao longo da viagem. Confesso que a cada parada que alguém descia, eu quase me emocionava, porque desenvolvemos uma relação afetiva com seus companheiros de ônibus, saca? Quando paramos num posto, todo mundo falava: “Pô, qual desses é meu ônibus? Ah, é só procurar por um japonês”.

Na verdade, este ônibus era São Paulo x Valença, passando pelo Rio de Janeiro. Até aí, tranqüilo. Eis que lá pelas tantas, já de manhã, eu a Sra Puppim avistamos uma figura caricata, esguia, cabelo meio “toca Raul!!!” e óculos redondinhos. Como normalmente procedemos, começamos a conversar com o menino. Jovem paulistano típico, meio hiponga, meio nerd, uma verdadeira globalização de estilos. Hector Intelectual. Este era seu email. Não me recordo do nome verdadeiro, ative-me apenas a memorizar o artístico. Papo vai papo vem, descobrimos nele uma pessoa estranha, mas muito bondosa e engraçada. Um músico exímio também. Estudava violão clássico e de fato dominava o instrumento. O Sr Intelectual estava indo sozinho para Boipeba, sem qualquer tipo de planejamento, mas com a certeza de que lá encontraria com seus amigos paulistanos.

Bom, chegamos em Valença, no começo da tarde, dentro do previsto. Como não conseguiríamos pegar o barco para a Ilha, pernoitamos num simpático hotelzinho da cidade. Fizemos um city-tour em 60 segundos e bebemos cerveja saboreando um autêntico podrão baiano (podrão – referência carioca para sanduíche genérico de hambúrguer de baixo custo). Retornamos e desmaiamos de sono, cansaço e cerveja.

Na manhã seguinte partimos para a tão sonhada Ilha de Boipeba. Longas horas de barco precederam a chegada. As instalações nada confortáveis do barco foram vencidas com nosso treinamento ninja, onde aprendemos a cochilar um embolado com o outro (Eu e a Sra Puppim, apenas) onde as mochilas e os ossos se arranjam em um formato confortável de cama e contor-pilow (0111406!!!). Chegamos no paraíso! Um olhar deslumbrado pelos 360* de beleza e simplicidade é precedido por uma desorientação maravilhosa e a convicção: nunca mais vou embora daqui! Chegamos na pousada que reservamos, bem simples e acolhedora. Famintos, caímos dentro de uma muqueca alucinante. Rodamos pelo vilarejo e mais tarde sentamos sob uma cobertura de sapê, de frente para o rio, para ver o magnífico por do sol que se aprumava. Além disso, caminhavam cantarolando, quatro garotos locais, sem camisa, descalços, empunhando seus berimbais e entoando cantigas da capoeira Angola! Que privilégio! Param próximo de nós, como se soubessem da admiração que tínhamos por essa arte! Cantaram, tocaram e ensaiaram uns mortais durante todo o por do sol, dividindo nossa atenção.

Uma bela manhã nos recebe no dia seguinte! Ensolarada, céu limpo! Logo no café da manhã, uma variedade de frutas fantástica e o tal do suco de Mangaba. Nunca tinha tomado, mas mandamos ver. Por ser uma fruta bem pesada, o que não me apetece muito, comi as outras coisas e deixei o restante do concentrado para Sra Puppim, que traçou os dois sem qualquer dificuldade. Rumamos para uma pequena praia, para pegar um barco e fazer um passeio até a praia do Francês (ou Alemão, ou Holandês). Animados, embarcamos com mais um casal (um cara francês e uma baiana), uma família de Feira de Santana e uns caras ai que não lembro. Vamosimbora! Nossa valente traineira começa o deslocamento! A paisagem da costa baiana é paradisíaca, com seu mar verdinho, coqueiros e areia branca. Por falar em verdinho, após a primeira hora de sacudidelas, quem ficou verdinha foi a Sra Puppim. Segura, sua, respira….. uma estratégica corridinha até a lateral do barco e BLAHHHHHHHRG! Tchau, tchau suco de mangaba! Coitada… após a primeira golfada eu tinha certeza que ela já voltaria com fome e recuperada. Mas nada! Repetiu essa rotina de alimentar o ecossistema marinho durante um bom tempo.

Eu, como cabra-homem, respirava fundo, me concentrava pra não aderir à onda da golfada! Tava difícil. Eu já estava andando de um lado para o outro, fazendo coisas caóticas e movimentos esquizofrênicos para desviar minha própria atenção, tipo a coreografia de Thriller. Nisso, num momento de solidariedade, a Larinha, jovem filha da família baiana, corre para o lado oposto do barco e lança ao mar sua contribuição gástrica-nutritiva de bolo de fubá, cachorro quente e o tal suco de mangaba. Pelo menos, foi esse o menu que o Sr Da Paz, patriarca da família me passou. De ante tal cena, com duas meninas vomitando no litoral baiano, olho para o Sr Da Paz e caio na gargalhada! Como carioca e baiano são duas raças que por segurança nacional* são separados pelo Espírito Santo, no ato sacamos que os dois juntos poderíamos nos dar muito bem dar boas gargalhadas daquele festival de comida processada!

*imaginem só o que seriam dos paulistas, tendo que agüentar sacanagens de cariocas e baianos juntos….coitado dos mâno…ia ficá mó embaçado, viu? Frilmêza?

E então o vômito nos uniu! Chegando ao destino final, desembarcamos todos e fomos direto para uma mesa de bar, compartilhar nossa primeira cerveja! A família Da Paz é uma jóia rara e de fala mansinha. Ficamos amigos e passamos toda nossa estada na Bahia sob a honra de sua companhia. E melhor, eles ainda nos convidaram para seguir viagem com eles e conhecer um lugar maravilhoso chamado Barra Grande, próximo à Itacaré.  Pé na estrada! Passamos por uma bela cachoeira no município de Camamú e depois seguimos para Barra Grande. Mas essa etapa…. ficará para um próximo post!





Reggae + Pedalada = Longa caminhada

6 11 2008

Recentemente sai para viajar, aproveitar as férias de julho, como nos bons tempos de escola. Foram apenas duas semaninhas…. e mesmo assim, não passaram em branco.

Foram dois destinos opostos, que serão tratados em posts separados. Hoje conto sobre a segunda metade da viagem. O cenário? A paradisíaca Ilha do Mel e o litoral paranaense. A cidade escolhida chama-se Pontal do Paraná, aproximadamente 2 horas de Curitiba. Chegamos lá descendo a bela estrada da Graciosa, florida, arborizada e extremamente sinuosa.

Sobre a Cidade

Não canso de repetir sobre os inúmeros atributos que vi neste pequeno e pacato (pacato à vera) local. Um lugar miúdo, agradável. O sistema bancário da cidade é 01 (um) caixa eletrônico do Banco do Brasil. Só!!! A agência mais próxima fica a aproximadamente 20 min de ônibus! É uma cidade menor do que o bairro em que moro. Tem um pequeno comércio local, quase todos os 3 mercados pertencem ao mesmo prefeito (não posso garantir a veracidade desta informação…), um campus da UFPR, o que torna a cidade, digamos, interessante e a Ilha do Mel. Ah! Sim, quase me esqueci do que realmente bomba na cidade: estacionamentos!!! Se você quiser ir para Ilha do Mel, inevitavelmente passará por Pontal. Indo de carro, inevitavelmente estacionará em Pontal. Querendo que seu carro esteja lá, da forma em que deixou, como bom turista desconfiado, estacionará num desses estabelecimentos.

Com o espírito aventureiro aflorado, querendo ser o turista raiz, arrumei uma bicicleta para explorar o local. Um meio de transporte ecologicamente correto, saudável e que não chamaria muito a atenção. O modelo utilizado provavelmente figurava entre os “tops de linha” do início dos anos 90. Um arraso. Estado de conservação super-questionável, mas tudo bem. Pensei eu: “quando saímos em férias, não podemos nos apegar a estes detalhes.” Uma rápida parada num dos 2 postos de gasolina para completar o tanque (calibrar os pneus), pegar algumas informações rápidas e partir pro rock ‘n’ roll.

Pé na estrada! Minha bike era equipada com uma bela de uma cestinha na frente do guidon. Rapidamente coloquei a camiseta e minha pochete de 1001 utilidades nela, conferindo um pouco de utilidade a cada um dos acessórios do veículo, a medida que eu ia descobrindo. Domingão de sol, muito sol. Era um clima agradável do sul, um dia fresco que te motiva à práticas ao ar livre, seja ela qual for. Chegando na praia, vi uma paisagem incrível. Uma longa e extensa faixa de areia bem compactada me convidava a um passeio. Olhei para um lado, depois para o outro e, como bom destro, segui para a direita. Pedalada vai, pedalada vem, cheguei perto de uma galerinha “du surfe”, nego mandando ver. Fazendo justiça radical em marolinhas de 30cm. Vi um seleto e bem representado quorun feminino na areia, todas lindas loiras e muito educadas, todas responderam sonoramente ao ‘bom dia!’ que as enviei.

rock 'n' roll beach ride!!!

rock

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