Paraty-Trindade

25 11 2008

 

Olá amigos do perrengue! Vocês conhecem a Costa Verde? Sim… ela mesmo, no eixo Rio-São Paulo, pela belíssima estrada Rio-Santos.

Caso não, deveriam conhecer. É verde devido ao belo mar; é verde devido à mata atlântica exuberante que acompanha o relevo montanhoso. Este foi o palco (ou picadeiro…) do perrengue de hoje.

- Juleba, acorda!!! Partiu viajar?!

- Hã? Hã? “FDP” Hã?

- Porra! É feridadão! Partiu. Taca meia dúzia de coisas na mala do teu carro e partiu (e passa aqui me pegar, né?)

- Pô… sei lá. Acho que não… Foda-se Dane-se! To indo! Alias, pra onde?

- Chega aê (expressão popular tipicamente carioca. Algo parecido com chega aqui) que a gente decide.

Prontamente meu grande amigo e parceiro de trip estava lá. Olhamos uns mapas na internet, e escolhemos a Costa Verde como destino. Precisamente o eixo Paraty-Trindade. Eu já conhecia muito bem a cidade de Paraty e todos os belos roteiros feitos de barco disponíveis na região. Mas sempre fui num esquemão família, pousada incrivelmente confortável e o saveiro era um dos melhores da região. Mas como diz o pessoal, dessa vez eu queria ir “com emoção”.

Juntei meia dúzia de tralhas e pé na estrada. Como uma viagem planejada em um telefonema de 2 minutos, alguns imprevistos eram esperados. Fomos num belo dia de sol, Rock ‘n’ Road total. E de tempos em tempos: “cara, tenta lembrar ai das coisas que estamos esquecendo, pra comprar logo na estrada…” Claro que não lembramos de absolutamente nada.

Como um belo feriado prolongado, quem conhece a Rio-Santos, sabe da dificuldade MERDA que é o transito e o engarrafamento. Pois é. Fritamos, cozinhamos ao vapor de escapamentos, fizemos amizade com ambulantes que carinhosamente nos apelidaram de “O Cabeludo” & “O japonês”. Praticamente um casal gay-freak-show, uma dupla sertaneja com apresentação à la Furacão 2000, a número um do Brasil. (“A Coisa”  “O Cacareco” e.g.)

Chegamos em Paraty e começou nossa busca por comida, abrigo e cerveja. Bebemos uma gelada pra melhorar o entendimento. Eis que paramos numa agradável pousada. O rapaz da recepção disse: “Ta cheio, irmão. Mas péraí? Vocês estão na pista?” (expressão carioca equivalente a dê bobeira, ou neste caso: SOLTEIROS) Evitando uma confusão homossexual confirmamos em alto em bom som. “Cara, sai de Paraty. Aqui vocês não vão matar nada. A boa mesmo é Trindade. Lá tem tipo a galera de vocês. (seja lá o que o cidadão quis dizer com isso…)

Seguindo os conselhos truncados no melhor estilo Mestre dos Magos, partimos sedentos para Trindade. Isso já era finalzinho de tarde. Chegamos na aprazível Trindade à noite, sob a iluminação magnífica de uma lua cheia. Foi ótimo, porque a estrada é bizarra, passamos por um semi-rio. Nada que representasse perigo ao Santanão Cinza-Bandido do Juleba. (caro leitor, esta informação fará todo o sentido ao final do post)

 

Mijão e o Santana Boladão

Mijão e o Santana Boladão

Nos instalamos num camping estranho de vazio. Era na beira-mar, e só tinha uma barraca! Os campings vizinhos, no mesmo preço, estavam verdadeiras favelas! Desconfiamos, mas cagamos. Entramos mesmo assim, tendo a certeza de que a única barraca do local era de um cara que federia tanto a ponto de espantar os demais campistas. Ou que seria um grupo de 7 mulheres gatas apertadas e desconfortáveis numa barraca para 2 pessoas. Nós, estávamos prontos para ser cavalheiros e ceder o espaço “não produtivo” de nossas duas barracas para as meninas que estivessem “em excesso”. Nenhuma das opções era verdadeira.

Beira-mar, vento da porra. Fui tomar banho. Frio. OK. Toalha? Shampoo? Sabonete?Pasta de dente? Escova de dente? Pra que??? Acabei de descobrir alguns dos itens que os dois esquecemos…. Reforço na ducha e secar no estilo hipe de ser: pentelhos cabelos ao vento. Nesse momento eu até achei bom não ter toda aquela mulherada… eu já sou japonês, pulando nu, no frio. Imagine o desastre…  (nota da redação: pulamos em momentos distintos, em segmentos isolados do camping. Respeitamos muito o pulo e a subjetividade do amigo)

Rodamos pela região durante uns 3 dias. Muito bom. Conhecemos as praias, mirante das ilhas ao sabor de uma cerveja gelada. Um dos pontos altíssimos da viagem foi a visita cultural ao alambique da famosa Cachaça Coqueiro. Incrível!!! Tivemos o prazer de conversar com a dona que nos contou a história desta respeitada pinga. Uma empresa familiar, que se preocupa com os mínimos detalhes da produção. Já estão na terceira ou quarta geração de alambiqueiros, que preservam a qualidade e sabor inquestionáveis e ao mesmo tempo, evoluindo nas certificações de qualidade. Saímos embreagados de tanto provar as marvadas. Descobrimos que o filho dela estudava arquitetura no Rio de Janeiro e morava em Niterói! Mas o álcool não permitiu lembrar de pegar o contato do jovem.

 

Alambique Coqueiro

Alambique Coqueiro

 

 

Na manhã seguinte fomos premiados com um cardume, matilha, alcatéia, enxame, manada de golfinhos! Brincado na praia, jogando uma altinha, batendo um frescobol. (claro que não, né….) Estavam numa roda punk! Com certeza estavam ouvindo Ratos de Porão! Se amontoávão, subiam um por cima do outro. Estava eu escovando os dentes na praia e vi esta cena maravilhosa. Corri, acordei o Juleba para ver a bela cena. Quase saiu pela janela da barraca; demorou uns 10 minutos pra focar e enxergar os golfinhos, mas viu.

Retornando ao som de clássicos do Bob e dos Straits, fomos parando em algumas praias até sair da Costa Verde. Vimos alguns acidentes pelo caminho. Chegando perto da Av. Brasil (famosa pela hospitalidade dos moradores e trabalhadores informais que lá atuam) vejo uma viatura da PM-RJ no retrovisor. OK. Dei seta para a direita e pensei: “Vai com Deus”. Porra nenhuma. Os jovens foram para trás do carro de novo, piscando farol, gritando, buzinando, sirene, purpurina e neon. “PORRA! Fui para a esquerda e eles foram também. Só pode ser zoeira.” Juleba pronuncia com certa dificuldade: “Eu-eu acho que-que eles querem que a-a-gente encoste”.

Apertamos as mãos, num gesto de gratidão pelos 20 e poucos anos vivido e pela forma gloriosa de encerrar a carreira. Quebrei o silencio com um esboço de manchete: “Dos verdes mares de Trindade diretos para as Páginas do O Povo”. Descem 4 PM’s  king-size, bem nutridos, soltando fumaça pelas narinas. Posicionam-se um em cada diagonal do carro, um na retaguarda, dentro da viatura e outro vem falar comigo. Alias, que falou foi a boca do fuzil, que quase encostou na minha testa algumas 10 vezes. Descemos do carro instruído por grunhidos e palavrões. Eles realizaram uma meticulosa revista no Santanão, que se encontrava com todo o lixo da viagem espalhado pelo carro. Todo o lixo mesmo. Eles cheiraram todos os papeis amassados, restos de biscoito. Mesmo dizendo: “Somos universitários, não temos essas tais armas e tochicos que vocês se referem.”

“De onde vocês são e de onde estão vindo?” Acho que era pra nos confundir, ou uma estratégia didática do tipo, repete, repete, repete e acaba decorando. Trindade-Niterói. Tochico? Armas? Aí, diante dessa pressão, com eles abrindo a mala eu tive que abrir o jogo: “Sr, tochico não temos; armas não temos; mas tem cachaça pra caralho.”

Com essas palavras mágicas eles bateram a mala, mandaram um “se adianta ae” e nos abandonaram, da mesma forma que vieram, sem sentimentos, sem café na cama, nem nada. Eu e meu nobre amigo entramos de volta no Santanão, assim que paramos de tremer seguimos de volta, a 60km/h. Já paramos em muitas situações de blitz, mas essa foi uma abordagem cinematográfica, hostil e, para nós, leigos em segurança pública, bizarra. Se isso é padrão, envolve a segurança dos militares em questão, ok. Mas a partir do momento que os mesmo sertanejos “O Cabeludo”& “O Japonês”, queridos pelos ambulantes, são enquadrados como bandidos na mesma estrada…. sei lá….

Juleba, partiu virar MC?

 

Saimos do alambique com as próprias pernas!!!

Saímos do alambique com as próprias pernas!!!


Ações

Informações

6 respostas

25 11 2008
andre garzia

Cara,

PM é foda!!!!!! Ótimas fotos, a do alambique ta muito maneira, devia colocar no quadro de cortiça. Alias, mestre dos magos é assim mesmo, so conselho torto…

[]s

25 11 2008
Juleba

Muleque ! Muito bom cara …

Mas tipo, nunca é apropriado postar conteúdo, nome e fotos de um adEvogado sem PRÉVIA permissão. Isso pode te custar algumas centenas de milhares de reais.

kkkkkkkkkkkk

Serinho, bom mesmo. Mas ainda acho que merecia mais história, tipo um post parte I e II. Teve tanta coisa nessa viagem … rsss

Abração e sucesso !

25 11 2008
Sylvia

Excelente!! Ri horrores, principalmente na parte do “japonês pulando nu no frio”!!!! hahahahahahahahahaha

Mto bom!

24 12 2008
perrenguenatrip

Olá Amigos do Perrengue!

Vejo que a demanda por informações sobre o Ano-novo em Trindade está bombando! Para ajudar, aí vão algumas dicas:

1) Infraestrutura para hopedagem é pequena. Apesar de ser mega-procurado por paulistas e cariocas, todos conviem em harmonia, principalmente nos campings que são a maioria. As pousadas já devem estar lotadas e são pequenas. Programação é fundamental. Se vc ainda não reservou alguma coisa lá, até vale arriscar ir de maluco e tentar arrumar um lugar pra cair. Mas faça isso de dia!

2) Acesso: na rio-santos, praticamente não há sinalização. A entrada é na mão de quem vem de sampa. Logo, cariocas, fiquem atentos! Quase não dá para ver a entrada. Vale ir com calma e encostar a sua direita (tem um retorno específico) esperar e depois retornar. Melhor esperar um pouco do que passar de ano e de dimensão, né? A estradinha até Trindade é bizarrinha, apertada e sinuosa. Não recomendo passar por ela sob ação de alcool, drogas ou qualquer tipo de psicotrópicos. Ah, também não deixe sua namorada dirigir nesta etapa… aquele papo de dimensão que falei a pouco. Rola um riozinho no final da descida. Se chover ele enche, mas calma, não vira o Amazonas. Só cuidado para não molhar o distribuidor.
3) Indo de carro é mais legal, pois existem muitas praias iraadas por perto, mas são acessadas pela estrada principal. São Gonçalo, Paraty, Paraty-Mirim, Alambique da Cachaça Coqueiro, Mirante das Ilhas e assim vai. Rola uma cachu bem bacana também. É tranquilo ir de ônibus também. Tem horários regulares saindo de Paraty.
4) “NINGUEM DOOOORMEE!” é famoso este slogan de Trindade. Mas pelo que conheço, isso teve origem em São Thomé das Letras. Bom, em ambos os locais é cheio de maconheiros-do-bem, criadores de gnomos e pessoas da paz. Acho que rolou um raciocínio-coletivo-cósmico-compartilhado, saca? É um bom assunto pra desenrolar com a pessoa do sexo oposto, num dos vários reggaes e forrós que animam a noite de lá.
5) O lugar estará lotado no ano-novo. Por isso, a consciência coletiva é sua melhor amiga. Pense nos impactos do seu lixo, da sua binga de cigarro e das latas de refrigerantes (?) que você gera. Do xixi que faz na água da cachoeira e to tempo em que toma banho. Trindade é basicamente uma rua, no meio do paraíso. Vamos mante-la assim? Sem atrair a atenção dos construtores de resort, mas que a infra-estrutura também dê conta de todos?
6) Lugar cheio = oportunidade para malandragem. Cariocada, Paulistada e demais gringos: Não marquem bobeira. Pois é no vacilo que um espertinho veste a carapuça de ladrão, ok?
7) Troque uma idéia com os caiçaras. População local composta de um mix cultural riquíssimo entre pescadores e índios. Indo para party-mirim, tem uma aldeia no caminho. Eles vendem artesanato e batem um papo tranquilo com os turistas. AAHHH! Porra! Se vcs forem para Paraty-Mirim, num grupo de umas 10 cabeças, procurem os barqueiros e agendem um passeio no SACO DO MAMANGUÁ. Caraca, é o melhor lugar de lá! Um local absurdamente lindo, que vale um dia de passeio. O barqueiro que nos atendeu lá foi o Valdir. Gente família pra caramba, pessoa do bem. Comanda a baleeira Bia, sob a proteção de uma estrela solitária. Botafoguense fervoroso, apostou comigo que se o Botafogo chegasse à final do carioca contra o Mengão ele viria ao Rio para juntos assistirmos ao chororô. Pois é, não preciso nem dizer que ele não veio, né?

26 12 2008
Sophia

Muito legal esse post e essas infos de Trindas!!

Sou paulixta (rs) e to indo pra lá no Ano Novo, pela terceira vez em 2008… É realmente apaixonante, vicia! Sobre hospedagem, putz… tive um trabalhão, reservei antes e paguei o dobro na diária do camping do que qndo fui na Páscoa! Mas ta valendo! Trindade compensa!!!!

Bjão! E pra quem vai, talvez a gente se encontre! Não serei uma moça que estará com mais 6 amigas em uma barraca de 2 pessoas, mas to láááá! Rs.. (com mais uma em uma barraca pra quatro! Rs)

26 12 2008
perrenguenatrip

Olá Sophia! Obrigado pela contribuição! São esses detalhes que enriquecem nosso blog.

Opa? Duas meninas numa barraca para 4? Ih… o que vai ter de militante querendo reforma agrária em Trindade…. rssss

Feliz 2009! Uma forma maravilhosa de começar o ano!

Deixe um comentário