RELATO DO PASSEIO A CARRANCAS – 1º CAPÍTULO
Amigos do Perrengue na Trip! O post de hoje se trata de um relato maravilhoso de uma recente aventura 4×4. É uma prática comum entre os grupos de jipeiros enviar um relato da aventura para os amigos e compartilhar assim os perrengues e aprendizagens de cada trilha.
Este relato foi gentilmente cedido ao Perrengue na Trip, pelo jipeiro, redator e amigo Aldo.
Participaram deste passeio: – Aldo e Eliane – Alex, Alexandra e Luna (a partir do 2º dia) – Luis Ernesto, Letícia e Liz – Michelangelo e Letícia com o casal de amigos Ademar e Lúcia. O período escolhido para o passeio foi de 23 a 26/04/09, uma quinta feira com feriado e sexta enforcada, mais sábado e domingo. Despertador tocando às 05:30h da madruga. Noite ainda. Chamei Eliane para ajudar nos preparativos. Colocamos a tralharada no carro e ainda deu tempo para tomar um breve e rápido café, sem acompanhamentos porque o café completo seria no BELVEDERE da Dutra .
Breve e rápido, mas não precisava estar tão quente. Apressado, acabei queimando os beiços. Partimos às 06:28h em direção ao BELVEDERE, que seria o ponto de encontro, marcado para 08:00h, e conforme eu havia programado, lá chegamos às 07:30 horas, com meia hora de antecedência, tempo suficiente para tomarmos um ótimo café e degustarmos um pastel, ótimo no sabor e enorme no tamanho (é quase um almoço). Isto feito, saímos da lanchonete e posicionei-me para observar a chegada dos veículos, pois já eram quase 08:00h e o pessoal já poderia estar chegando. Liguei o talk-about para entrar em contato: sem sucesso. Tentativa pelo celular: nada. Mais algum tempo e consegui falar com o Luis Ernesto que informou ter enfrentado um probleminha de partida no motor (pegou no tranco), mas já estava a caminho e logo estaria chegando. O primeiro a chegar foi o Michelangelo, às 08:34h. Neste mesmo horário chegaram Ademar e Lúcia, e não poderia ser diferente já que estavam de Zequinha. Luis Ernesto chegou às 08:47h, isto porque já estava pertinho. Fiquei imaginando se ele estivesse longe. O Alex não viria neste horário de encontro devido a compromissos profissionais e só partiria do Rio no final da tarde. Deste modo, conseguimos sair do BELVEDERE às 09:05 horas.
Concluí que tinha cometido um erro ao chegar tão cedo. E um erro desses não deve ficar impune e a penalidade que sofri foi ter que ouvir Eliane buzinando nos meus ouvidos até a saída da Dutra, em Piraí, pois ela não se conformava de eu tê-la acordado tão cedo para depois ficar esperando durante uma hora. Ali mesmo em Piraí já nos embrenhamos por uma trilha cujo nível pode-se considerar super-leve. O roteiro estava no GPS do Luis e, após algumas idas e vindas para correção do percurso, às 10:05 h a trilha nos levou a um pequeno município chamado Pinheiral. PINHEIRAL ???? Conclusão: “estamos fora do roteiro”. Param-se os carros, todo mundo salta, puxam-se os “note book”, consulta daqui, consulta dali e: ¬ Realmente estamos fora do roteiro, mas a correção é fácil. ?Como teria sido possível o GPS se enganar? ?Termos saído do roteiro e ele não acusar? Este era o segundo sinal e não percebemos (o primeiro foi ao dar a partida ainda no Rio). Correções feitas, partimos e, alternando asfalto e paralelepípedo fomos passando pelos arredores de Volta Redonda, Barra Mansa, até chegarmos a uma estrada de terra que nos levou a Santa Rita do Zarhur.
Continuamos em frente por estrada de chão e chegamos a Amparo, mais precisamente Nossa Senhora do Amparo. EEEPPPAAAAA. AMPARO ????? Novas consultas e …… conclusão: ¬ Gente estamos fora do roteiro de novo, mas daqui de Amparo é fácil chegar a Santa Isabel do Rio Preto onde retornaremos ao roteiro original, e de lá seguiremos para Sta. Rita da Jacutinga. O GPS nos enganara de novo, ou será que nós é que estávamos enganando o GPS. Era o terceiro sinal, e ninguém percebeu. Se percebeu não falou. (Agora, escrevendo, é fácil falar). Por uma estrada de chão partimos em direção a Santa Isabel. Passamos por belos lugares, aliás, bonitos desde quando entramos na trilha em Piraí, sendo única exceção os arredores de Volta Redonda. Chegando a Santa Isabel o Luis entra em um posto e diz que o carro está com algum problema na parte elétrica. O Michelangelo remexe em uma de suas “N” malas de ferramentas e sai de lá com um multímetro. Mede a tensão na saída da bateria: OK! Mede a tensão na entrada do alternador: OK! Mede a tensão na saída do alternador: CCHHIIIII. È o alternador. O motor é desligado e são feitas as primeiras inspeções.
Decide-se por ir até Santa Rita para procurar um eletricista. Tivemos que empurrar o carro para fazer o motor pegar. Demos segmento ao nosso roteiro em direção a Santa Rita. No entanto, quando estamos passando em frente à estação da VALE, o motor apaga de vez, com o carro andando.O carro tem que ser rebocado pela Land do Miche (nova abreviatura de Michelangelo, mas só pode ser usada pela Letícia. Eu arrisco usar apenas porque estou escrevendo. Falar, nem pensar). E foi assim que chegamos a Santa Rita da Jacutinga, às 11:30h com a Land do Luis sendo rebocada. Paramos ao lado de um posto onde há uma bela vista para um lago. Um motoqueiro acercou-se e, tomando conhecimento do problema, disse que mandaria um eletricista que lhe devia alguns favores. Nunca chegou. Felizmente o Luis e o Michelangelo (é melhor voltar ao nome original) não ficaram esperando o eletricista e logo se puseram a consertar o carro. O Luis abre o seu porta-malas e sai de lá com um alternador. Legal, achei prudente. Olho para o outro lado e vejo o Michelangelo remexer nas suas maletas e, de repente, sair de lá com outro alternador na mão. Ué, fiquei pensando, assim já é prudência demais. Mãos a obra para trocar o alternador. Caramba, que meleca, não é mole não.
São 15:00 h e finalmente chega a fome. Eu e Eliane saímos para pegar um sanduba, pois os demais já haviam comido, exceto Luis e Michelangelo. Traçamos um sanduíche de lingüiça frita com uma coke geladona. Huuummmmm. Delícia. Voltávamos ao local onde estavam os carros quando observo um pássaro pousando no galho seco de uma arvore. Não acreditei no que via, e por não acreditar, perguntei à Eliane o que era aquilo. Sim, era um tucano, lindo, que consciente de sua beleza deu-se ao luxo de posar para fotografia. Máquina em punho, zoom em 30X, e o resultado em um arquivo de apenas 29 Kb foi este:

Esse tucano aparece mais tarde...
Uma pena que os demais não tenham visto. Foi o tempo para 6 fotos e o bicho achou que já era demais. Saiu fora e não deu mais a cara. Retornemos ao alternador. Às 15:30 horas, até solda já havia sido feita (não duvido que aquela Land do Michelangelo tenha betoneira, cortador de grama, martelo pneumático, picador de cana para alimentação de animais, etc.). Finalmente o alternador fora substituído. ¬ Vamos ligar. Nada, nenhum sinal. Volta com o multímetro para verificar a tensão e constata-se que a bateria perdeu toda a carga. ¬ Vamos empurrar. Não adianta, diz o Luiz, se a bateria está sem carga a solenóide não vai abrir, e não abrindo a solenóide o carro não vai pegar. (Fiquei quieto no meu canto, pois não entendi nada do que ele falou. E tem gente que acha que engenheiro mecânico tem que entender de carro). ¬ Só se der uma chupeta. Vocês podem não acreditar, foi uma chupeta de meia hora. Gente, meia hora de chupeta é coisa que não acaba mais. ¬ Agora vamos ligar. Nada. Luis conclui e insiste que o problema está além da bateria e do alternador. ¬ Vamos tentar carregar a bateria e ligar o carro com ele sendo rebocado. De alguma forma o carro pegou. Embarcamos todos e partimos rumo a CARRANCAS. Alternador trocado e o motor rodando, agora para não ter mais problemas.
Eram 16:30h. Não chegamos a andar 1 quilômetro. Estávamos ainda na saída da cidade quando tive o sentimento de que o mundo desabava sobre nós. Voltamos a estaca zero. Entramos mais uma vez em Sta. Rita com a Land sendo rebocada, só que desta vez no centro da cidade. A esta altura do campeonato, quem nos olhava pensava tratar-se de um cortejo fúnebre. “Procura-se um eletricista”. “Procura-se um eletricista”.

Um pedestre informa que conhece um e passa as coordenadas da residência. Michelangelo larga a Land do Luis “ali mesmo” e sai a procura do tal eletricista. “Ali mesmo” era em pleno cruzamento, exatamente embaixo do sinal se ali houvesse algum. Uma posição muito desconfortável conforme podemos observar abaixo: Certamente não há guarda naquela cidade porque o carro ficou ali parado por uns 10 minutos. Também não houve engarrafamento. A situação já estava chata com o pessoal ali da esquina olhando. Aproveitando que estava em uma descida, o Luis deixou o carro rolar suavemente rampa abaixo, até a próxima esquina, onde estacionou rente ao meio fio. Coincidência ou não, talvez interferência do destino, não importa, o que sei é que exatamente em frente, do outro lado da rua, havia uma oficina. Neste momento retornava Michelangelo dizendo que o eletricista não estava em casa. Entramos na oficina para saber se ali havia alguém que entendesse de motor diesel.
¬ Eu entendo. Era um negão, camiseta amarela fornecida por uma “porcaria” de partido político e com a “bosta” de um tucano pintado nas costas. O Luis passou os sintomas do carro para ele.
¬ Vamos ver. Abra o capô (e dirigiu-se para a traseira do carro – ccchhhiiiiii, não entendi). Deu a volta no veículo e, já com o capô aberto, enfiou a mão no compartimento do motor, mas rapidamente a retirou, como se estivesse afastando-a devido ao calor do motor.
¬ O cabo da válvula solenóide da bomba injetora está quebrado. Descascou a ponta do cabo, prendeu-o novamente e disse que, se o problema era só aquele, agora ele iria pegar.
¬ Vamos empurrar. Habilitaram-se espontaneamente Aldo, Ademar, Michelangelo e o Negão, enquanto que o Luis ficava no volante. Aquela DEFENDER enorme, 4 X 4, naquele instante de humilhação, mas também de grande humildade, vira uma simples 4 X 8 ( quatro caras empurrando num total de oito pernas). Já passava de 17:00 horas e começava a escurecer, não só pelo final de tarde, mas nuvens negras aproximavam-se rapidamente vindo lá das bandas de Volta Redonda. Sob a força dos 4 HP, a pesada DEFENDER lentamente começa a se mover. O céu cada vez mais escuro. O carro vai ganhando alguma velocidade. O ambiente está tenso. A velocidade aumentando, cada vez mais, mais, mmaaiiss, mmmaaaaaiiiiiiiiiiiissssssssssssss…………. Ô gente, “péra” aí. Não podemos nos esquecer que estávamos em Santa Rita da Jacutinga e era dia de São Jorge. Certamente Santa Rita intercedeu por nós e o Jorjão deve ter batido um tambor legal, porque de repente:
VVVRRRRRRUUUUUUUUUUUUUMMMMMMMMMMMMMMM VVVVVRRRRRRRUUUUUUUUUUUUUUUUUMMMMMMMMMMMMMMMMM (outra acelerada) VVVVVVVVVVVVVRRRRRRRRRRRRRRRRRRUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMM
Agora sim, aquela Land esbanjava toda a saúde de seu motor. Qualquer pessoa, ainda que de olhos vendados, poderia afirmar categoricamente que: “Aquela era uma Land”. Luis Ernesto desce do carro todo satisfeito e neste instante voltei a lembrar que ele também sabia sorrir. Todos comemoravam efusivamente. Abraços por todos os lados. Salve o Flávio! Salve o Flávio! Até então era o negão, mas agora, com a sua linda camiseta amarela do PSDB e um belo tucano desenhado nas costas. Salve o Flávio! Qualquer coisa era motivo de alegria. O primeiro raio risca o céu a meio horizonte, tendo como fundo as nuvens negras. Uma cena maravilhosa (alguns instantes atrás certamente eu teria dito: PQP ). O passeio, que para a maioria de nós já tinha ido pro saco, volta a ganhar força. Rapidamente são verificadas as tensões na bateria e na saída do alternador. Tudo em ordem. Eram 17:35 horas. Entramos nos carros e partimos rumo a CARRANCAS. O motor da Land agora roncava lindo, bonito, redondo. Estava tão bem que partimos com a certeza de que não mais incomodaria.
(HHUUUUUMMMMM, SERÁÁ???) NÃO PERCAM. EM BREVE O 2º E ÚLTIMO CAPÍTULO DO RELATO